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O platônico nós

Ela se sentou naquele banco de praça em frente a sua casa, parecia diferente das outras inúmeras vezes, parecia que estava faltando alguma coisa e ela sabia o que era. Ficou ali olhando o movimento das pessoas passando, os carros, e o dia passou lento e doloroso, nada mais se encaixava em lugar nenhum e ela também não achava mais seu lugar naquele banco sem aquele que a abraça sempre e dizia que nada no mundo poderia separar os dois.
Mas a vida é tão inesperada, ela tira de nós coisas tão valiosas e de formas repentinas de mais e assim foi com eles, de uma forma inexplicável um dia ela já não sentia que eles deveriam estar mais juntos e apesar de todas as coisas ao seu redor e de seu coração ainda palpitar por ele ir embora parecia tão o certo a se fazer que ela fez, disse que nunca mais e virou as costas para tudo o que um dia eles tinham sido um para o outro.
Aquele banco ainda representava tudo o que ela tinha, ainda lembrava que ali eles tinham se conhecido no dia que ela mudou, ali tinha sido o primeiro beijo e ali ele tinha pedido para que ela fosse sua namorada, ali ele a buscou para o baile de formatura e agora era ali que ela desejava voltar o tempo, a falta dele na sua vida era gigantesca mas ela não se achava mais no direito de requerer sua compania.
E o tempo passou, ela pediu para levar o banco de praça para sua nova casa quando mudou-se para sua nova vida e o colocou na sua calçada, sentava nele quando sentia sua falta, quando o mundo parecia errado e quando pensava estar perdida, ela nunca pensou em ligar e dizer que sentia muito e sentia sua falta, para ela apesar tudo aquilo ainda parecia certo e ela nunca foi contra suas razões, no fundo o que ela desejava com sua partida da vida dele era saber o quanto ele a desejaria de volta e ele não desejou.

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