Eu olhei de novo, e de novo e enquanto eu encarava a realidade ainda não fazia sentido, ou talvez eu não quisesse que fizesse. Você tinha mentido pra mim? Mas eu também não tinha feito a mesma coisa? Quem eu estava cobrando, eu ou você? Mas o que eu estava cobrando, não existia nada a ser colocado como certo entre nós dois!
Eu tinha voltado a ter 16 anos por poucos dias, sentir o coração bater mais forte, sentir a sensação do proibido, da atenção do outro... eu sabia do erro, das consequências, do terror e do medo, mas mesmo assim eu fiz, eu sabia cada passo e em cada passo pra frente eu pisava três para trás. Mas o coração adolescente é burro, literalmente burro, ele não viveu e não sabe como é difícil manter um amor, a única coisa que ele conhece são paixões, dessas que na primeira dificuldade, na primeira decepção tudo desaparece. Eu tinha guardado o coração adulto, colocado ele para dormir para sonhar junto com meu coração adolescente, e foi aí que eu me perdi.
Mas não dá pra dormir pra sempre, e uma hora tudo se despedaça e a realidade que bate não sustenta amores adolescentes.
O tempo sempre é o melhor guardiã do amor, e eu só posso agradecer por ele ter guardado o real amor e afastado os outros.