O platônico nós
Mas a vida é tão inesperada, ela tira de nós coisas tão valiosas e de formas repentinas de mais e assim foi com eles, de uma forma inexplicável um dia ela já não sentia que eles deveriam estar mais juntos e apesar de todas as coisas ao seu redor e de seu coração ainda palpitar por ele ir embora parecia tão o certo a se fazer que ela fez, disse que nunca mais e virou as costas para tudo o que um dia eles tinham sido um para o outro.
Aquele banco ainda representava tudo o que ela tinha, ainda lembrava que ali eles tinham se conhecido no dia que ela mudou, ali tinha sido o primeiro beijo e ali ele tinha pedido para que ela fosse sua namorada, ali ele a buscou para o baile de formatura e agora era ali que ela desejava voltar o tempo, a falta dele na sua vida era gigantesca mas ela não se achava mais no direito de requerer sua compania.
E o tempo passou, ela pediu para levar o banco de praça para sua nova casa quando mudou-se para sua nova vida e o colocou na sua calçada, sentava nele quando sentia sua falta, quando o mundo parecia errado e quando pensava estar perdida, ela nunca pensou em ligar e dizer que sentia muito e sentia sua falta, para ela apesar tudo aquilo ainda parecia certo e ela nunca foi contra suas razões, no fundo o que ela desejava com sua partida da vida dele era saber o quanto ele a desejaria de volta e ele não desejou.
Forças
Como ela não sabia que ele poderia ir embora tão de repente? Isso era porque ela não acreditava que alguém que jurou amar e estar ali para qualquer coisa faria, mas fez e ela estava sem rumo, sem saber o que fazer e como responder as dezenas de vezes que todos a sua volta perguntavam se estava bem, se estava superando e afirmando que tinha sido melhor assim, que ele não a merecia! Bem, era verdade, ele não a merecia e isso ela tinha certeza, mas isso não diminuia a solidão toda noite quando deitava na cama e olhava para o lugar dele vazio e se perguntando se um dia aquele vazio seria preenchido novamente.
A solidão a consumia, mas apesar de tudo ela prosseguiu e quando tempos depois ele voltou a sua porta, dizendo que nada tinha sido tão ruim como o inferno que sua vida tinha se tornado desde o momento em que decidiu trocar "a mulher da sua vida" por uma aventura mais nova e que precisava dela de volta, daquela vida deles de volta, a força que ela tinha adquirido desde que ele partiu foi tudo que ela precisou para simplesmente dizer adeus a tudo e fechar a porta, deixando ele do lado de fora da sua casa, do lado de fora de sua vida.